terça-feira, 27 de julho de 2010

UM BEIJO

Não quero perder este momento mágico para te mandar um beijo. Um beijo completo. Um beijo que comece na nuca, passeie teu corpo e termine nos lábios. Um beijo quente, alegre, despojado, sem pressa, sem tensão, sem remorso ou cuidado. Um beijo que carregue, na seiva que o compõe, de tudo um pouco: ternura, paixão, animalidade, reverência e travessura. Um beijo que fique, que marque até o último Fim. Uma Vida deveria ter muitos beijos assim.

(Um poema que mandei há muito tempo atrás para uma Flor Morena).

SENSIBILIDADE

Tu vais entrar agora no quarto de um pedaço do futuro. Tens o privilégio de poder vê-lo, mas não tens o direito de tentar modificá-lo. Podes entrar. No entanto, bata primeiro. Pode ser que o futuro esteja ocupado, descobrindo as sutilidades do presente. Não mudes nada de lugar. Deixe tudo como o encontrares. Talvez esteja aí o começo do respeito e da individualidade do ser humano. Este é um pedaço do mundo destas crianças. Tenta compreende-los ou aceitá-los, pois jamais vais conseguir caminhar com elas e alcançar sua dimensão. É que elas foram arremessadas pela vida a uma altura que não podemos atingir sem vertigem. Procura lembrar, aí dentro, da criança que foste um dia. Isso faz bem. Não esquecer que não nascemos assim, adultos preconceituosos, opressores e medíocres. Aí, tenta ser puro como elas. Procura descobrir o amor no seu estado natural, sem as contaminações do egoísmo. Aí dentro respeita, por favor, os vestígios de Deus nesse flash do paraíso.

(autor desconhecido)

TÍTULO: À VONTADE

Swift the moments fly away
First the hour and then the day
Next the week, the month, the year
Steal away and disappear.

UM POETA DO POVO

Antonio Gonçalves da Silva, conhecido e amado em todo o sertão do Cariri como Patativa do Assaré. Viveu 93 anos. Frequentou a escola durante seis meses e aprendeu tudo o que precisava e o que não precisava também. Vendeu uma cabra por dezesseis mil réis e comprou uma viola.Foi ser cantador e um dia cantou assim: "Para ser poeta no sertão/Nem tem que ser professor/Basta ver no mes de maio/um poema em cada galho/um verso em cada flor". Precisa dizer mais alguma coisa?

segunda-feira, 26 de julho de 2010

DIVERSOS

  • E o tempo não para. Pra que essa pressa?
  • Não entendo o silêncio sobre a vida e a obra de Eric Fromm. Esta, para mim, inexcedível até então.Após muitos anos, viajando por outras galáxias do pensamento, voltei a reler suas análises profundas constatando sua perene atualidade, não obstante escassos equívocos.
  • Um deus deveria viver na Terra eternamente, exercendo efetivamente TODOS OS PODERES que as religiões lhe atribuem. Estaria assegurada, assim, a felicidade da raça humana.
  • Se dependesse de um gesto mudar a estrutura sócio-econômica do mundo eu faria esse gesto sem hesitar, desde que dele resultasse um sistema mais humano e equânime, mesmo perdendo irremediavelmente alguns dos privilégios do atual sistema. E não sentiria falta deles.
  • Nunca se perde uma caminhada. Qualquer caminhada é ganho.
  • Cansei.

SONHO

O mistério do sonho me fascina.Me parece ser uma função orgânica com algum propósito significativo.Creio que encerra algum segredo do nosso curriculum vitae. Tem sido muito pouco permeável à exploração científica,que quase nada avançou além da especulação.A exploração freudiana do tema não me convenceu. Às vezes parece-me que o sonho tem vida própria que,não raro,despreza nosso material vivencial tecendo sua própria estrutura.O que sei seguramente é que ele é necessário à vida.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

CANONIZAÇÃO

Face ao rumo que o mundo tomou, podem pedir minha canonização ao Vaticano. Descobri que sou santo, com direito a altar e auréola. E houve uma época em que eu me considerava impuro, lascivo, intolerante! Mas, podem crer era equívoco. Sou um santo, a que ponto cheguei!

ESTÉTICA FEMININA

Abaixo do Equador feminino sou fascinado por "bunda" (que original, não?). Nelas vejo a harmonia grega, as ondulações e curvas da arquitetura de Niemeyer, o tremor da sensualidade. Acima o que me seduz é o torneado gracioso e opulento dos ombros, e os olhos, que nos engolfam nas profundezas insondáveis da alma feminina. Eles têm expressões instintivas, fulgores repentinos, luz própria que podem nos envolver totalmente, nos hipnotizar ou nos destruir.

COMO EU IA DIZENDO...

A imagem que vai servir de consumo após a nossa morte será ricamente facetada e, em poucas décadas poderá se tornar irreconhecível. O certo é que mesmo fresquinha, cheirando a tinta, não corresponderá à imagem que cada um tem de si. É que a realidade está nos nossos olhos e na nossa imaginação. Então temos várias imagens: aquela que interiorizamos de nós mesmos; aquela que somos materialmente na realidade e as que os outros fazem de nós. Além disso, cada uma dessas imagens sofrem alterações no correr do tempo e das circunstâncias. Umas se aperfeiçoam, outras se deformam, ainda outras se dissolvem ou perdem a nitidez. É por isso que não se deve confiar muito em biografias. No meu caso, a título de exercício, arrisco algumas das imagens que vão sobrar de mim depois que a GRANDE CADELA me devorar. Muitos conhecidos vão me pintar como um intelectualoide chato e intimidante. Outros vão me lembrar como um sujeito duro mas confiável e receptivo. Alguns poucos vão me ver como uma pessoa sábia. A maioria não vai ter interesse nenhum em me lembrar, principalmente aqueles que nos olham e não nos vêem. Eu tenho uma Flor Morena que vai viver o resto dos seus dias envolvida em meu perfume e nos meus espinhos. Nossos netos não vão saber quem realmente fomos ou tentamos ser. Mas, DEPOIS, o que interessa isso?

segunda-feira, 12 de julho de 2010

NA VERDADE................

  • Meu celular e meu carro sofrem de uma profunda carência afetiva em decorrência de meu escasso interesse e necessidade de usá-los. Eles morrem de inveja dos outros carros e celulares tão agraciados com cuidados exagerados e tão solicitados por seus donos, mais até, não raramente, do que aos próprios familiares.
  • ... muitos escritores já me plagiaram impunemente, já que não escrevi nenhum livro.
  • Continuo intrigado com meus sonhos. Me parece que eles têm vida própria e que querem sair de mim. Será que clamam por uma revelação? Invejo-os porque são mais criativos do que eu.
  • ... na verdade, gostaria de ter mais loucura lúcida, ou mais lucidez louca.
  • ... na verdade, não consigo me sentir ridículo com essas divagações, ridiculamente recorrentes.

domingo, 4 de julho de 2010

TESES QUE SE MANTÉM

- A maioria das pessoas não amadureceu integralmente.

- Algumas pessoas já nascem más.

- A leitura me ajudou a viver.

- A política partidária e a religião em nível fundamendalista são entraves ao progresso, à fraternidade, à felicidade.

- Ainda não surgiu algo melhor que a família para o equilíbrio emocional das pessoas.

- A felicidade é tecida de retalhos simples.

- Não espere recompensa pelas tuas boas ações.

- Cada vez mais tenho aceitado a Vida como ela é e não arrefeceu meu amor a Ela. Já me reconciliei com as estações e até já acho estimulante a alternância variada e caprichosa do clima variado desse nosso canto do mundo.

- A maioria das pessoas morrem sem ter amadurecido integralmente.

Reflexões [4]

Tenho me dedicado curtir profundamente os dias me regozijando por estar vivo, sem a preocupação de fazer coisas, procurando sentir o tempo que escorre pelos dedos, reconciliado com o clima, certo de que sempre haverá momentos bons na voragem dos dias, sem a ilusão da bem-aventurança contínua, sem a obrigação de ser otimista menosprezando a realidade e sem medo de mudar. Continuo me comovendo com a beleza, com a dignidade, com a superação, com o desprendimento diante do infortúnio. Continuo escravo da lucidez e amante devasso da Vida. Já consigo trafegar sem susto entre TUDO e o NADA.

Reflexões [3]

Descobri que sou um verdadeiro filósofo porque, segundo Platão, filósofo é aquele que ama contemplar a verdade.

Reflexões [2]

Sei que o Cosmos é indiferente à raça humana e que a Velha Terra, nossa nave espacial, viveria melhor sem nós, que não a compreendemos e não a respeitamos e com a qual mantemos uma relação equivocada e lamentável.

Reflexões

Eu sou aquele que muito leu e muito andou.