sexta-feira, 16 de julho de 2010

COMO EU IA DIZENDO...

A imagem que vai servir de consumo após a nossa morte será ricamente facetada e, em poucas décadas poderá se tornar irreconhecível. O certo é que mesmo fresquinha, cheirando a tinta, não corresponderá à imagem que cada um tem de si. É que a realidade está nos nossos olhos e na nossa imaginação. Então temos várias imagens: aquela que interiorizamos de nós mesmos; aquela que somos materialmente na realidade e as que os outros fazem de nós. Além disso, cada uma dessas imagens sofrem alterações no correr do tempo e das circunstâncias. Umas se aperfeiçoam, outras se deformam, ainda outras se dissolvem ou perdem a nitidez. É por isso que não se deve confiar muito em biografias. No meu caso, a título de exercício, arrisco algumas das imagens que vão sobrar de mim depois que a GRANDE CADELA me devorar. Muitos conhecidos vão me pintar como um intelectualoide chato e intimidante. Outros vão me lembrar como um sujeito duro mas confiável e receptivo. Alguns poucos vão me ver como uma pessoa sábia. A maioria não vai ter interesse nenhum em me lembrar, principalmente aqueles que nos olham e não nos vêem. Eu tenho uma Flor Morena que vai viver o resto dos seus dias envolvida em meu perfume e nos meus espinhos. Nossos netos não vão saber quem realmente fomos ou tentamos ser. Mas, DEPOIS, o que interessa isso?

Um comentário:

  1. Acho que sempre sobrevive um pouco de nós em nossos descendentes....me vejo muito no meu avô paterno, em alguns pequenos gostos e detalhes...não no geral...mas será que o geral realmente importa....Nossa vida não é vivida e curtida nos pequenos prazeres? Pq então não sermos imortais nos pequenos detalhes...se meu tataraneto tiver meu nariz(que não é meu tb, mas de algum ascendente longínquo) ou gostar de um carne de um jeito único como eu, já serei imortal ....

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