domingo, 17 de outubro de 2010

Exercício dialético

Teoricamente parece-me,no momento,que o determinismo possa ser a lei absoluta que rege o universo.Vejamos.Primeiro:deve-se renunciar à tentação de imprimir propósito moral ou qualquer outro ao processo.Segundo:não se deve pretender previsões lógicas,calculadas,para os fatos consequentes já que os dados implicados no processo são heterogêneos.Alguns são mensuráveis,outros não;alguns são perceptíveis,outros não.Só se tem conhecimento do fato consumado quando no plano dos nossos sentidos que,por sua vez,desencadeia consequências inevitáveis.
Temos,na realidade,potencialidades de alternativas legitimando o livre arbítrio.Mas,como garantir que a conduta aparentemente livre não esteja determinada irremediavelmente pela resultante de todos os fatores conhecidos ou não que possam ter nos "programado",vamos dizer assim?Deve haver uma margem,uma faixa de opções sintonizadas com cada resultante pessoal.Mas não deve haver dúvidas de que haverá uma gama bem mais vasta de condutas totalmente inconcebíveis e imcompatíveis para cada indivíduo e que,logicamente variará no tempo e no espaço já que é fácil de entender que o processo é dinâmico na sua totalidade,já que a ação dos fatores que incidem é constante e rica de nuances.
Se houvesse possibilidade de medir todos esses fatores que plasmam o ser seria possível prever sua conduta numa determinada faixa de certeza,em situações específicas.
Impõe-se levar em consideração a ação incontrolável,em termos de potencialidade, da bagagem genética que não podemos escolher.
Nessa ordem de idéias,quer me parecer que a psicanálise freudiana pega por escassez e a dialética marxista por excesso.
Muitos pensadores e estudiosos basearam suas teorias na idéia da bondade natural,congênita,do homem.Apesar de julgar atraente essa especulação sou inclinado a crer que nascemos sem medida de ordem moral.Nem bons,nem maus,mas com potencialide para tanto.Então somos um "vir a ser",com uma estrutura físico-psíquica fértil para o cultivo dessas propriedades.A genética,talvez,force o equilíbrio para um ou outro lado,porém,sem caráter decisivo.
Bem,então,deve-se concluir que ninguém tem culpa?Não sei.Talvez a superação desses fatores seja o que caracteriza a dimensão humana entre os seres vivos.
Chega.

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