Chico Freud é um típo excêntrico que encontrei nas pescarias. Já idoso, com aspecto sadio, magro, tostado, com um tufo de cabelo na nuca, formando um rabicho ridículo, e muito magro. Nas conversas na praia e nas lancherias mostrou-se irreverente e cético para quem o conhecimento do real é inatingível, com um passado nebuloso. Ninguém sabe, ao certo, donde veio.. Frequenta a noite onde é conhecido como exímio jogador de bilhar. Locomove-se de bicicleta e adora uma polêmica, que encara esportivamente. Esnoba ser vítima da lucidez. Não teme a morte e diz ter contas a ajustar com Deus apesar de não acreditar na existência dele. Procura manter-se magro para causar decepção aos vermes famintos. Teme que inventem que se converteu antes do fim. Diz que se fosse Deus não seria inconsequente e levaria mais tempo para criar o mundo;se possível, com uma prévia pesquisa de mercado. Sempre derrama um pouco de cachaça no chão antes de ir embora. É uma figura. Tem mais.
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