sexta-feira, 27 de agosto de 2010

MATURIDADE

O paradigma da coragem humana é representado por um pesonagem da tragédia grega - Édipo. O tipo de coragem que ele personificou é a condição fundamental para alcançarmos a plena maturidade. Só após esta conquista estamos aptos a desenvolver todas as nossas potencialidades. Raros alcançam, na trajetória da vida, a percepção dessa necessidade básica, e aqueles que a têm dificilmente chegam a conquistá-la, porque para tanto, temos que vencer obstáculos penosos e percorrer árduos caminhos. Temos que cultivar com desvelo e determinação a honestidade intelectual; precisamos nos preparar com firmeza para começarmos a encarar as várias faces horrendas que o nosso espelho interior começa a refletir quando lançamos sobre ele um olhar profundo e destemido; temos que suportar os grunhidos abafados do nosso componente animalesco que vamos encontrar acocorado num desvão escuro e escondido dos nossos subterrâneos interiores, se, atemorizados, não desviarmos o olhar. Édipo, teve a coragem de encarar a Verdade, mas penou até o fim da sua vida. Faltou-lhe a sabedoria para elaborar a sua tragédia. Não desenvolveu a estrutura filosófica e histórica que lhe permitiria enfrentar aquele destino. Então, saberia que foge à nossa condição humana coordenar todos os fatores que nos impelem através do tempo. Aqueles privilegiados que alcançam a maturidade experimentam um grande alívio porque arejam os porões de sua alma com o sopro da compreensão e da aceitação, exorcisando demônios já estranhos e anacrônicos; tornam-se mais impermeáveis às pequenas maldades alheias e dosam melhor seus atos porque ficam conhecendo suas verdadeiras forças e fraquezas. Adquirem condições de saber as potencialidades que podem ser desenvolvidas e de aceitar irremediavelmente as limitações estruturadas em sua natureza, sem que isso leve a sofrimento. Creio conveniente esclarecer que esta imagem interior não tem inspiração religiosa ou moral, condição indispensável para se chefar à Verdade. Não obstante, um sábio que atendia pelo nome de Mário Quintana, desconfiava que é mais importante conhecer o vizinho do que a si mesmo. Um gênio insandecido, Nietzch, dissuadia as pessoas a este mergulho interior pelo perigo da submersão.



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